

OS DONOS DA NOITES ROUBAM LITERALMENTE A NOITE
Passando a vista pelo cartaz e a sinopse do filme, o público pode pensar que se trata apenas de mais um filme policial com gângsteres. Mas é só apagar as luzes do cinema e começar a rodar o filme para perceber que existe sim uma proposta diferenciada. Até que ponto uma pessoa pode conviver pacificamente em dois lados tão distintos é a questão central, e com muita habilidade o diretor e roteirista James Gray vai apresentando seus personagens em "Os Donos da Noite". Joaquin Phoenix vive um empresário da noite, comanda a boate El Caribe e aproveita ao máximo os prazeres da vida ao lado de sua namorada porto-riquenha Amada (Eva Mendes). Conhecido como Bobby Green, ele sabe que precisa tolerar a presença de pessoas perigosas, como o traficante russo Vandim Nezhinski (Alex Veadov), para ver seu negócio prosperar.
O que ninguém sabe é que Bobby é irmão do destemido policial Joseph Grusinsky(Mark Wahlberg), que acaba de ser promovido a liderar uma operação contra o tráfico. Mas o gerente da boate não está disposto - a priori - a dar qualquer passo que possa comprometer suas relações empresariais, por isso mesmo, desde o início da carreira adotou o sobrenome da mãe. Quem acaba tendo que intermediar a relação é o pai Burt Grusinsky (Robert Duvall), um renomado chefe da polícia de Nova York.E é nesse momento em que se apresenta o grande pecado do filme. A máfia russa de um lado dominando a região com o tráfico de drogas, a polícia tentando coibir a ação e Bobby no meio sem que os traficantes - experientes - descubram seu laço sanguíneo com as autoridades policiais. Deixando essa gafe de lado, o filme consegue fugir dos personagens maniqueístas e revela, ao longo dos 117 minutos, pessoas multifacetadas.
Quando a relação da polícia e dos mafiosos russos fica mais tensa e a vida dos policiais Grusinsky estão em perigo eminente, Bobby se vê obrigado a perceber - da forma mais dolorida - que será preciso tomar uma posição definitiva em todas as áreas, negócios, família e amor.
Com frases de efeito, fotografia densa e trilha sonora apropriada, James Gray aborda um drama policial recheado de dilema familiar com propriedade. Destaque para a cena de perseguição nas ruas de Nova York. A chuva é intensa e para dar um clima de suspense o diretor não aposta em música alguma. O som escolhido é o do barulho dos limpadores de pára-brisas e da aceleração dos carros - alcança seu objetivo.
Concorrente à Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, Os Donos da Noite surgiu devido a uma fotografia publicada no jornal New York Times durante o funeral de um policial, em que vários deles estavam se abraçando. Na década de 80, a polícia adotou o slogan "We Own the Night" (título original do filme). Com um orçamento de U$21 milhões, Gray se recusou a gravar as cenas do longa em Toronto, mesmo os custos sendo mais baixos. As filmagens ocorreram nas vizinhanças do Bronx, Manhattan, Brooklyn e Queens - local onde ele foi criado.
Este é o terceiro filme do cineasta que vem conquistando seu espaço em festivais internacionais. Em Caminho sem Volta (também com Phoenix e Wahlberg) participou da mostra Competitiva de Cannes, e com Fuga para Odessa recebeu dois prêmios no Festival de Veneza. Seu próximo projeto,Two Lovers, previsto para 2009, também será estrelado por Joaquin Phoenix.





